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WWE acerta em não misturar política com pro-wrestling

Nem tudo precisa trazer um debate político polarizado, que em muita das vezes, não se chega a lugar nenhum.

Donald Trump
Reprodução: WWE
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O engajamento das pessoas com a política tem subido de forma bastante expressiva de 2010 pra cá. Pelo menos aqui no Brasil, desde o movimento das ruas que causou o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016 — você considere isso justo ou não — é fato que a política, antes discutida somente a cada quatro anos, nas eleições presidenciais, está sempre presente nas rodas de conversa.

Pensando pelo ponto positivo, pelo menos em tese, temos pessoas mais preocupadas com os rumos do país, algo que, por si só, já deixa um recado claro para os políticos: estamos de olho. Por outro lado, o extremismo, seja ele de direita ou de esquerda, reduz drasticamente a qualidade da discussão, transformando as análises, que deveriam ser imparciais, em um famoso Fla-Flu (clássico entre Flamengo e Fluminense, no futebol).

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Normalmente, quando o extremismo impera, a razão é a primeira a deixar de existir no debate político, pois, ao invés de críticas e novas ideias, se tem torcidas fanáticas por um determinado líder.

Isso não se resume somente ao Brasil, mas ao mundo todo, incluindo os Estados Unidos.

Desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, ele vem adotando uma política econômica e social completamente diferente da do seu antecessor, Joe Biden. Para uma ala americana, principalmente composta por adeptos dos republicanos, essas novas ações são positivas, enquanto, para os que compõem o viés dos democratas, o país está indo para um caminho sem volta.

Um dos temas, talvez o mais delicado, que faz parte desta discussão, é a política imigratória do governo. A regra se resume basicamente a isso: ou você está legalizado, ou está fora dos Estados Unidos.

Olhando para o lado da segurança nacional, faz total sentido ter um sistema mais rígido. Por outro lado, a forma como isso é feito afeta milhões de pessoas. Ou seja, a ação deve ser focada na segurança, não em um espetáculo público para se mostrar “como é que se faz”. É necessário encontrar soluções e não criar mais problemas.

Apesar de o pro-wrestling, assim como o esporte, parecer estar tão distante desses temas delicados, tudo está mais interligado do que nunca.

Bad Bunny, famoso rapper porto-riquenho, que já fez atuações memoráveis na WWE, vem sendo um dos grandes críticos do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). Suas críticas contra o sistema e o governo Trump, como um todo, se tornaram ainda mais fortes no Grammy Awards e no Super Bowl.

A WWE, não é segredo para ninguém, sempre teve uma boa relação com Donald Trump e os republicanos. Trump teve uma participação de destaque na WrestleMania 23, em 2007, além de, atualmente, Linda McMahon ser a responsável principal pela Secretaria da Educação do governo, e Triple H fazer parte do Conselho Presidencial de Condicionamento Físico.

Porém, conforme noticiamos anteriormente aqui no House of Wrestling, a empresa pretende ser neutra. Neste ponto, não deve estremecer sua atual relação com Bad Bunny. A ideia central, segundo Dave Meltzer, do Wrestling Observer Newsletter, é “não levar o debate político para o ringue”. Ou seja, a empresa não protege e nem critica nenhum lado.

Olhando pela ótica de uma empresa saudável, isso faz total sentido. Proteger um lado, em detrimento do outro, não é financeiramente atrativo. O dinheiro de um democrata tem o mesmo valor que o de um republicano.

No fim das contas, e talvez o mais importante, em um mundo doente e polarizado como o que temos hoje, não seria saudável ver uma briga política até mesmo na hora de sentar no sofá e assistir a um show de entretenimento, justamente para se desligar deste cenário turbulento, cheio de más notícias.