House of Wrestling entrevista Gastón Mateo

Rodrigo 16/06/2020

Gastón Mateo é um dos principais nomes no cenário sul-americano da luta livre. Emilio Miguel Ogaz Pérez tem 36 anos e luta desde 2001, possui uma bagagem que inclui três participações na NOAH (sendo o primeiro chileno a lutar no Japão), tryout na WWE, competição no Brasil. Hoje vamos conhecer um pouco de “El Messias da Lucha Libre”.

A intenção dessa entrevista é conhecer os grandes personagens que existem na América do Sul, explorando o cenário nacional e também nos países vizinhos.

Como era o jovem Gastón na infância, você acompanhava wrestling pela televisão, quais eram suas inspirações?
“Quando eu era pequeno, via luta quando tinha 5 anos quando eles transmitiram pela televisão aberta. Naquela época, eu não tinha inspiração na luta. Quando cresci, tive lutadores que me inspiraram como Undertaker, Stone Cold, Chris Jericho, dentre outros”.

Como foi a construção do seu personagem, em quem você se baseou para moldar a gimmick de Gastón?
“Inicialmente, eu era baseado em um nerd, semelhante à vingança dos nerds no cinema, mas isso evoluiu com as histórias e me pediram para ser um profeta e eu me tornei o messias da luta livre com base nos pregadores das religiões e os profetas. Todos eles têm grande capacidade de falar e isso foi parte do que eu mais tive para poder tirar proveito do meu potencial”.

Você começou sua carreira em 2001, sendo treinado por Mr. Death, quem foram suas referências para começar a treinar, para entrar no mundo do wrestling?
“Em 2000, um colega de escola me disse que foi treinar com um ex-titã do ringue (titãs do ringue eram os lutadores mais populares do Chile no passado) e me convidou para ir, lá eu tive meu primeiro treinamento e fiquei encantado. No ano seguinte, tive minha estréia no teatro Caupolicán, diante de cerca de 700 espectadores”.

Qual foi sua maior luta até hoje e qual lutador você ainda sonha em enfrentar?
“Eu tenho muitas lutas que eu adoro, as que eu mais lembro são contra Paul London e Zack Sabre JR., Kenta e Maybach Taniguchi, Xandão, Xtra Large, Hellspawn e Ariki Toa numa fatal four way, Maomichi Marufuji – Akitoshi Saito – Yoshinori Ogawa em 3 vs 3 entre outros. Quero enfrentar Kenta-san e Marufuji-san novamente, eu os respeito e ao mesmo tempo sei que poderia ser uma grande luta”.

Conhece alguém do cenário brasileiro de wrestling, teria interesse em lutar no Brasil algum dia?
“Principalmente a BWF e a SWU. Na BWF: Tive a honra de ir várias vezes e em cada uma delas foi um prazer estar lá, eles têm lutadores muito bons como Rurik, Xandão, Max Miller, Victor Boer, Acce. Vários deles eu adoraria encará-los e mostrar a eles o poder da luz pela primeira vez ou gostaria de enfrentar Xandão novamente”.

Você é o primeiro chileno a lutar no Japão, na NOAH, como é a experiência de lutar em outro país?
“Lutar fora do seu país é muito divertido e enriquecedor para o seu conhecimento, mas lutar no Japão é outra coisa e, mais ainda, se você é o primeiro, já que carrega o peso de seus compatriotas, mostra a qualidade dos lutadores em seu país e abre caminho para eles. Lutar em um dos principais locais da luta livre, como o Japão, é uma experiência única”.

Você participou da Global Junior Heavyweight Tag League por 3 anos (2012, 2013 e 2017). Como foi lutar contra lutadores como Bobby Fish, Eddie Edwards, Taiji Ishimori?
“Uma ótima experiência. Lutar com pessoas como eles pra mim é o ideal, já que você consegue elevar seu nível, melhorar a si mesmo e aprender muito. 2012 foi um ponto de virada na minha carreira, graças a enfrentar lutadores do nível que estavam na a Global Junior Heavyweight Tag League naquele ano e nos anos seguintes foram para continuar aprendendo e me superar”.

Quais seus planos para o futuro, existe conversas com outras empresas nacionais, ou uma participação fora do país?
“No momento, meus planos futuros são retornar ao Japão no futuro e retornar aos mercados livres que visitaram esses lugares e também ao Brasil. No cenário local, por enquanto, estou focado em capitalizar a XNL (Xplosion Nacional de Lucha) e a Ngen, mas espero resumir a outras pessoas conforme meu tempo permitir, já que minha nova paternidade exige um tempo que eu felizmente entrego e que me limita a fechamentos mensais”.

Como foi a participação no tryout da WWE realizado no Chile?
“Eu estava entre os lutadores observados que o pessoal da WWE realizou através de Canyon Ceman e William Regal e acho que isso fazia parte da aquisição de experiência no nível de lutador, pois recebi bons comentários da minha luta, o que me deixa satisfeito por saber que eu posso continuar trabalhando e conseguir coisas melhores. Quando os testes terminaram, vi como remota as chances de eles chamarem, já que eu era de uma faixa etária alta, mas nunca é demais sonhar. Finalmente, não fui chamado, mas aqueles que foram chamados acredito que possuem um ótimo nível e que muitos deles já me enfrentaram, isso também mostra que grandes coisas podem ser alcançadas no nível sul-americano e, portanto, devemos levar isso a sério”.

2012, 13 ou 17. Qual foi o melhor ano para você no Japão e por quê?
“O melhor ano, acho que todos foram ótimos à sua maneira, mas 2012 tem um sentimento maior. Foi a minha primeira turnê no Japão, um desafio totalmente novo e os rivais a enfrentar no torneio foram maiores. Bobby Fish e Eddie Edwards, Aoki e Suzuki (dois renomados da NOAH), Taiji Ishimori e Atsushi Kotoge (Jr Tag Team Champions), Kaientai Dojo, Hiro Tonai e Shiori Asahi. Era um grupo complexo e no outro grupo havia grandes lutadores como Ricky Marvin e Super Crazy, Paul London e Zack Sabre Jr., Katsuhiko Nakajima, Genba Hirayanagi e Yoshinobu Kanemaru (dois grandes nomes da NOAH também). Ainda haviam grandes nomes como Kenta, Naomichi Marufuji, Jun Akiyama, Takeshi Morishima, Yoshinari Ogawa, Go Shiozaki, entre outros grandes nomes do wrestling japonês. Foi um ano brilhante e revelador de experiências e de luta”.

Bom, é isso, em breve traremos mais algumas entrevistas com importantes nomes do cenário sul-americano.